La Valse

La Valse

Maurice Ravel teve uma forte influência da obra de Johann Strauss II. Mas logo encontrou seu próprio estilo. Ficou  mundialmente famoso e conhecido pelo seu Bolero, ainda hoje a obra musical francesa mais tocada no mundo. Porém ele fez algumas incursões no gênero da valsa, já que tinha um enorme apego pelas valsas de Strauss II. Ele bem que tentou entrar nessa seara musical, sem muito sucesso, mas sua “La Valse”, apesar de não ter o padrão vienense puro de Strauss, foi reconhecida no meio musical europeu.

La Valse é uma obra orquestral composta por Maurice Ravel concebida como uma homenagem em forma de apoteose à valsa vienense. É classificada por seu autor como “Poema Coreográfico“, em função de seu desejo de vê-la como um bailado. Ele chegou a apresentá-la ao empresário russo Serguei Diaghilev em 1919, mas este a considerou não adequada para um balé.

Maurice Ravel já havia pensado em realizar uma obra em homenagem à valsa de Viena por volta de 1909. Seria uma obra dotada de romantismo, bem ao espírito da época. No início de 1916, ele se engaja no exército, interrompendo assim a sua produção musical. Quando em setembro de 1917 recebe baixa, volta a compor, porém em ritmo mais lento visto que seu estado de saúde estava comprometido. Termina uma série de seis peças para piano denominada “Le Coupeau de Touberin” e para novamente. Só em 1919 volta a se dedicar a uma composição que sempre sonhara compor: La Valse. Conforme suas palavras: “Concebi esta obra como uma espécie de apoteose da valsa vienense, à qual se mistura, em meu espírito, a impressão de um giro fantástico e fatal. Situo esta valsa em um palácio imperial, lá por volta do ano de 1855”.

Para melhor compreensão podemos dividir essa composição em duas etapas. Em um primeiro momento ela se inicia com os contrabaixos, seguida dos fagotes e das trompas em atmosfera calma. O clima musical é fragmentado e um pouco confuso para os ouvintes. Aos poucos, um ritmo de uma verdadeira valsa é estabelecido e vai tomando forma. A valsa firma-se ao som do oboé, seguido de outro tema firmado nos violoncelos e clarinetes. Em determinado momento a execução torna-se agitada. Com um pequeno retorno à introdução, tem início a segunda parte. Nela, a atmosfera musical é nervosa, impondo-se o tema dos violoncelos de forma insistente. Surge outro tema antes do coda. A agitação tende a aumentar, até atingir o clímax final com a mistura de maneira anárquica de todos os temas.

Durante todo a execução da obra, sete melodias se entrelaçam, em forma pulverizada ou colocadas em relevo pela reluzente orquestração. Mas Ravel consegue estabelecer uma sequência de contrastes em toda a peça. Cada aparição é uma surpresa para o ouvinte.

A obra reflete a agitação e confusão que tomou conta da  Europa após o término da Primeira Guerra Mundial. Maurice Ravel procura expressar esta angústia através desta obra. Não mais o clima ameno, linear e jovial de uma valsa, mas uma valsa nervosa e agitada, cujo final tem uma atmosfera catastrófica, tal qual ficou o continente europeu após o término da guerra.

Aqui vamos ouvi-la com a Filarmônica de Paris sob a batuta da lenda americana “Leonard Bernstein”, ao qual eu já tinha me reportando como um regente que usa a expressão corporal com maestria para reger. Aqui ele nos brinda com um verdadeiro show de dança na condução de La Valse.

Josias Cavalcante

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