Globalização, drogas e Maradona

Globalização, drogas e Maradona

A globalização do mundo moderno apresenta muitas facetas interessantes atuando como anjo ou como demônio. Na conjuntura moderna atual, a globalização é a principal arma do desenvolvimento humano, sendo praticamente impossível viver-se sem ela.
O termo globalização foi pronunciado e empregado pela primeira vez em 1985, por Theodore Levitt, no tema “A globalização dos mercados”, para mostrar as profundas e rápidas mudanças que ocorreram nas duas últimas décadas na economia internacional, relativas ao comércio, produção industrial, serviços, mercado de capital e tecnologia de ponta entre as nações do planeta. Se observarmos bem, veremos que a globalização, está contida no nome das três principais instituições associadas ao crédito, ao investimento e ao comércio, representadas pelo Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e Organização Mundial do Comércio.
O mundo tornou-se pequeno com a globalização, que está intimamente ligada aos eficientes meios de comunicação eletrônicos, vídeos, compact disc, telefonia celular e Internet, através das redes sociais. Tudo isso pode ser muito bem exemplificado, através dos recentes eventos, o Fórum Econômico Mundial em Davos – Suíça, e o Fórum Mundial Social, em cidades distintas do mundo, realizados, simultaneamente, entre os dias 25 e 30 de janeiro, a cada ano. O primeiro, financiado por mais de mil empresas multinacionais que defendem uma política neoliberal em todo o mundo e representado pelo grupo do G-8 (formado pelas sete nações mais desenvolvidas do planeta e a Rússia); e o segundo, pelos representantes das ONGs ligadas à ecologia, aos sindicatos, aos trabalhadores rurais, às entidades religiosas, à reforma agrária, ao trabalho infantil, e às minorias étnicas. O mundo todo assistiu, ao vivo, em 2001, um verdadeiro debate entre o mega-investidor americano, George Soros (ferrenho defensor da legalização da cannabis sativa) e um representante indiano das classes menos favorecidas, o qual externava sua indignação contra a globalização de mercados de capital e suas consequências sobre o desemprego, a desigualdade social, a pobreza e a fome, principalmente, nas nações subdesenvolvidas e em desenvolvimento.
O termo globalização, empregado como sinônimo de liberalização, pode através, das telecomunicações, promover e incrementar tanto os conhecimentos saudáveis ligados à cultura geral, à saúde, à qualidade de vida e ao consumo de bens materiais, nesses casos, atuando como anjo, ou, em sentido oposto, atuando como demônio, através da promoção do sexo explícito virtual, da pedofilia, e do consumo de drogas. Com relação às drogas lícitas, tabaco e álcool e, especificamente, à ilícita cannabis sativa (maconha), a globalização atua como uma verdadeira disseminadora do seu consumo. Ao navegar pela Internet, encontramos milhares de “sites” e “e-mails”, oriundos de todos os continentes, principalmente do Norte Americano e Europeu, estimulando o consumo da droga como substância tóxica e euforisante. O mais constrangedor de tudo isso é a exaltação (que chega a raia do fanatismo) à cannabis sativa como droga milagrosa, inofensiva e recreativa, divulgada pela própria juventude mundial, que não acredita nas informações técnico-científicas de sua ação sobre as funções orgânicas e a personalidade dos usuários. Exemplificando essa situação, alguns anos atrás, a FIFA (Federação Internacional de Futebol Association), entidade máxima do futebol mundial, com sede em Zurique-Suíça, promoveu uma votação, através da Internet, para escolher o melhor jogador de futebol do século XX. Os dois candidatos escolhidos foram os Srs. Edson Arantes do Nascimento (Pelé), representante do Brasil e Diego Armando Maradona, (Maradona), representante da Argentina. Reconhecidamente, foram os dois exímios craques do esporte das multidões, entretanto, havia uma diferença gritante entre eles. Maradona usava drogas, e Pelé não. Maradona, foi internado algumas vezes, por intoxicação aguda, ocasionada pelas drogas, teve graves problemas de saúde e sua carreira foi encerrada precocemente, além de ter tido vários problemas jurídicos, que mancharam seu status de cidadão. Ao contrario Pelé, é até hoje reconhecido por sua conduta como atleta sem vícios e como cidadão correto fora dos campos de futebol, condição que o levou a ser contratado pelo Cosmos de Nova York e iniciar um trabalho de melhorar o Soccer norte-americano, cuja população não se interessava muito pelo futebol.
Por incrível que pareça, o brasileiro Pelé ganhou o prêmio com base em votos de um colégio de eleitores composto por membros da Fifa, jornalistas e treinadores de todo o mundo, enquanto o argentino venceu o prêmio com base na pesquisa de Internet. Os internautas votaram maciçamente no consumidor de drogas Maradona. Isso é uma prova cabal de que o consumo de drogas, de uma maneira geral, não é considerado um fator agravante para a personalidade individual do usuário. Infelizmente, esse é o modelo atual reverenciado pela globalização, quando se trata de consumo de drogas e a sua divulgação através da Internet no nosso mundo globalizado.
Nada temos contra o craque Maradona, falecido recentemente no dia 25 de novembro de 2020. Ele realmente foi um mito do futebol mundial e considerado um verdadeiro Deus na Argentina. Muitos consideram Maradona o maior e mais completo jogador de futebol de todos os tempos. Mas aqui vamos discordar. Ela jamais tomará o lugar do Pelé, considerado pela imprensa mundial como o “Rei do Futebol” justamente pelos dados que mostraremos a seguir.

Títulos de Maradona

Boca Juniors
• Campeonato Argentino: Metropolitano 1981
Barcelona
• Copa do Rei: 1983
• Copa da Liga Espanhola: 1983
• Supercopa da Espanha: 1983

Napoli
• Copa da UEFA: 1989
• Campeonato Italiano: 1987, 1990
• Copa da Itália: 1987
• Supercopa da Itália: 1990

Seleção Argentina
• Copa do Mundo FIFA: 1986
• Troféu Artemio Franchi: 1993
• Campeonato Mundial de Futebol Sub-20: 1979
Artilharias
• Campeonato Argentino: Metropolitano 1978, Metropolitano 1979, Nacional 1979, Metropolitano 1980, Nacional 1980
• Campeonato Italiano: 1988
• Copa da Itália: 1988
• Prêmios individuais
• FIFA 100: 2004
• Bola de Ouro da Copa do Mundo da FIFA: 1986
• All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA: 1986, 1990
• Melhor Jogador do Mundo eleito pela World Soccer: 1986
• Onze d’Or: 1986, 1987
• Guerin d’Oro: 1985
• Melhor Jogador Sulamericano do ano eleito pelo jornal El Mundo: 1979, 1980
• Melhor Jogador do Mundial Sub-20: 1979
• Melhor Jogador Argentino do Ano pela Associação de Jornalistas da Argentina: 1979, 1980, 1981, 1986[96]
• Bola de Bronze da Copa do Mundo FIFA: 1990[97]
• Melhor Jogador do Século XX da FIFA (votos de internautas): 2000[15]
• 3º Maior Jogador do Século XX pelo Grande Júri FIFA: 2000
• 2º Maior jogador Sul-americano do século XX pela IFFHS: 1999
• 5º Maior jogador do Mundo do Século XX pela IFFHS: 1999
• 2º Maior jogador do século XX pela revista – France football: 1999
• Time dos Sonhos da FIFA: 2002
• Prêmio Olimpia de Oro (Melhor atleta argentino do ano): 1986
• The Times – maior jogador da história das Copas do Mundo: 2010
• La Gazzetta dello Sport – Melhor Jogador de Todos os Tempos: 2012
• Corriere dello Sport – Melhor Desportista da Historia: 2012
• Melhor Jogador da História pela revista “Four Four Two”: 2017
• Melhor jogador das Copas do Mundo pela revista “Four Four Two”: 2018

Maradona jogou quatro Copas do Mundo 1982, 1986, 1990 e 1994. Poderia ter tido a quinta no currículo, mas foi cortado em 1978 quando já despontava como um grande jogador no Argentinos Juniors. Pela seleção Argentina, ganhou o Mundial de 1986. Fez 680 jogos e marcou 345 gols, em 21 anos de carreira

Títulos De Pelé

  Santos

Campeonato Brasileiro Série A: 1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1968
Copa Libertadores da América: 1962, 1963
Copa Intercontinental: 1962, 1963
Recopa dos Campeões Intercontinentais: 1968
Campeonato Paulista de Futebol: 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1973
Torneio Rio–São Paulo: 1959, 1963, 1964
New York Cosmos
North American Soccer League: 1977
Seleção Brasileira
Copa do Mundo FIFA: 1958, 1962, 1970

Prêmios individuais
• Artilheiro da Copa Libertadores da América: 1965
• Artilheiro da Copa Intercontinental: 1962, 1963
• Artilheiro do Campeonato Brasileiro Série A: 1961, 1963, 1964
• Artilheiro do Campeonato Paulista de Futebol: 1957, 1958, 1959, 1960, 1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1969, 1973
• Artilheiro do Torneio Rio-São Paulo: 1963
• Bola de Prata: 1970
• Melhor jogador jovem da Copa do Mundo FIFA: 1958
• Bola de Prata da Copa do Mundo FIFA: 1958
• Bola de Ouro da Copa do Mundo FIFA (Melhor Jogador): 1970
• Melhor Jogador da Copa América: 1959
• Artilheiro da Copa América: 1959
• FIFA Ballon d’Or: 2013
• Jogador do Século da IFFHS: 1999
• Jogador Sul-Americano do Século da IFFHS: 1999[327][328]
• Eleito Melhor Jogador Brasileiro do Século pela IFFHS: 2006
• Ballon d’Or da France Football: 1958, 1959, 1960, 1961, 1963, 1964, 1970
• Melhor Jogador do Século da FIFA: 2000
• Ordem de Mérito da FIFA: 1984
• Prêmio do Centenário da FIFA: 2004
• FIFA 100 Melhores Futebolistas Vivos: 2004
• Top-100 Jogadores de Copas do Mundo 1930–1990 da France Football
• Personalidade do esporte no exterior da BBC: 1970
• Prêmio personalidade do esporte no exterior da BBC Lifetime Achievement: 2005
• Prêmio Laureus do Esporte Mundial: 2000
• Melhor futebolista que já jogou da Golden Foot: 2012
• Atleta do Século da Reuters: 1999
• Eleito Atleta do Século pelo Comitê Olímpico Internacional: 1999
• Futebolista Sul-Americano do Ano: 1973
• Eleito Futebolista do Século pelos ganhadores da Ballon d’Or da France Football: 1999
• Incluído no National Soccer Hall of Fame: 1992
• Seleção de Futebol do Século XX: 1998
• TIME: uma das cem pessoas mais importantes do século XX: 1999
• Melhores Onze de Todos os Tempos da World Soccer: 2013
• Prêmio Tributo da Football Writers’ Association: 2018[348]
• Incluído no time de estrelas da North American Soccer League (NASL): 1975, 1976, 1977
• Número 10 aposentado pelo New York Cosmos como reconhecimento pela sua contribuição ao clube: 1977
• Eleito Cidadão do Mundo pela ONU: 1977
• Eleito Embaixador da Boa Vontade pela UNESCO: 1993Ordens
• Cavaleiro da Ordem de Rio Branco: 1961
• Cavaleiro Celibatário da Ordem do Império Britânico (honorário): 1997
• Eleito Comandante da Ordem de Rio Branco após marcar seu milésimo gol: 1969
• Premiado com a Cruz da Ordem da República da Hungria: 1994
• Premiado com a Ordem da FIFA em homenagem aos seus oitenta anos como instituição esportiva: 1984
• Premiado com a Ordem do Mérito da América do Sul pela CONMEBOL: 1984
• Premiado com a Ordem dos Campeões pela Organização da Juventude Católica dos Estados Unidos: 1978
• Premiado com a Ordem Nacional do Mérito pelo governo do Brasil: 1991
• Ordem do Mérito Cultural pelo governo do Brasil: 2004
• Ordem Olímpica pelo Comitê Olímpico Internacional: 2016

Os números de Pelé impressionam. A RSSSF afirma que Pelé marcou 767 gols em 831 jogos oficiais, 1281 gols em 1365 no geral enquanto ele estava ativo e 1284 em 1375 levando em conta os jogos beneficentes após sua aposentadoria.

Em dezembro de 2000, Pelé e Maradona dividiram o prêmio de Melhor Jogador do Século da FIFA. Originalmente, o prêmio pretendia basear-se em votos em uma pesquisa na internet, mas muitos observadores reclamaram que a natureza da pesquisa teria significado uma demografia distorcida de fãs mais jovens que teriam visto Maradona jogar, mas não Pelé. A organização então nomeou o comitê “Família do Futebol” de membros da FIFA para decidir o vencedor do prêmio juntamente com os votos dos leitores de sua revista. O comitê escolheu Pelé. Como Maradona ganhou a enquete na internet, foi decidido que os dois deveriam compartilhar o prêmio

Josias Cavalcante.

One thought on “Globalização, drogas e Maradona

  1. Este artigo deu uma visão geral, num olhar circular, das características do narcotráfico como um fenômeno econômico, político e social na era da globalização. Mais ainda, mostrou as novas dimensões do narcotráfico que, em nossos dias, converteram-se em um tema de preocupação de diversas economias da periferia mundial. Enfatizou também o perfil que esse fenômeno alcança em sua expansão global e, em particular, em algumas nações latino-americanas, ressaltando, inclusive, o drama de Maradona com as drogas!
    De forma abrangente, fez um brilhante paralelo entre as carreiras de Pelé e Maradona!

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