Fortaleza – A loura desposada do sol

Fortaleza, a Loura desposada do sol!
Hoje amanheci muito romântico, enamorado e saudoso da minha querida cidade natal, Fortaleza, a “Loura Desposada do Sol”, como canta em versos o nosso querido poeta aracatiense Francisco de Paula Nei. Acredito que ninguém a conheceu e curtiu-a melhor que eu. Nascido no âmago das suas entranhas, quase as margens do pequeno riacho Pajeú, que corta a cidade quase de forma imperceptível, fui criado vendo sua evolução urbana, fato que me tornou um privilegiado. Hoje comemora-se o dia da sua padroeira Nossa Senhora da Assunção. A primitiva estrutura da atual cidade remota à época da segunda invasão holandesa no Brasil, erguida pelos Neerlandeses e conhecido como o “Forte de Schoonenborch”,

cujos invasores, após sua expulsão pelos portugueses, foi denominado Forte de Nossa Senhora da Assunção. Em 1812, o então governador da Província do Ceará, Manoel Inácio Sampaio e Pina Freire promove a demolição do antigo forte e dá início a uma nova estrutura de defesa da cidade, cuja pedra fundamental foi lançada em 12 se outubro de 1812, em homenagem ao aniversário do Príncipe Dom Pedro de Alcântara. Uma lápide foi colocada na muralha externa onde se lê em latim “Informem montem me derisere carinae. Nunc arcem Magnum respectu pavescunt. Hic me Sampaius sexto, regnante Joanne. Fundavit pulchram, Pauleti reffulget. Amis me fortem civilia dona. Muris me fortem reddunt stipendia Regis”
Ano de 1817 – “As naus escarneciam de mim quando eu era um monte informe: agora que sou uma grande fortaleza, de longe tomam-se de respeito. Aqui, reinando D. João VI, Sampaio me fundou bela, o engenheiro de Silva Paulet resplandece. Os donativos dos cidadãos me tornaram forte pelas muralhas, e dos dispêndios reais me fazem forte pelas armas.”

A cidade cresceu, desenvolveu-se e tornou-se um dos pontos turísticos mais visitados do Brasil. Sua orla maravilhosa com o sol brilhando praticamente o ano todo, deu incentivo ao poeta cearense Paula Nei, dedicar-lhe uma poesia que muito bem se encaixa com suas belezas naturais.

Ao longe, em brancas praias embalada
Pelas ondas azuis dos verdes mares
A Fortaleza, loura desposada
Do sol, dormita à sombra dos palmares

Loura do sol e branca de luares,
Como uma hóstia de luz cristalizada,
Entre verbenas e jardins pousada
Na brancura dos místicos altares.

Lá canta em cada ramo um passarinho,
Há pipilos de amor em cada ninho,
Na solidão dos verdes matagais.

É minha terra! A terra de Iracema,
O decantado e esplendido poema
De alegria e belezas universais!

Josias Cavalcante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *