Curiosidades históricas

Curiosidades históricas!
Muitas pessoas desconhecem, mas desde o descobrimento, o Brasil já teve quatro capitais. A primeira foi Salvador, cuja data de fundação como capital da colônia portuguesa se deu no dia 29 de março de 1549. A escolha de Salvador, inicialmente nomeada de “São Salvador da Bahia de Todos os Santos”, deveu-se ao fato de a Região Nordeste ter a maior extração de pau-brasil, bem como, ser a principal produtora de cana de açúcar produtos essenciais para a coroa portuguesa, além de sua localização mais próxima da “pátria mãe” o que facilitava a exportação desses produtos. A data oficial de sua fundação foi determinada pela portaria 299 de 11 de março de 1952, assinada pelo então prefeito da cidade Osvaldo Veloso Gordilho, e marca o dia em que o português Tomé de Sousa desembarcou no atual Porto da Barra, em 29 de março de 1549, dando início à construção da cidade-fortaleza. Ele havia sido nomeado primeiro governador-geral do Brasil pelo rei dom João III. Chegou ao litoral da Bahia com seis embarcações, trazendo mais de mil pessoas para o país. A razão principal de sua vinda para a colônia foram as revoltas promovidas pelos indígenas, onde a presença dos portugueses não era efetiva. A terra tinha que ser povoada e administrada pela coroa portuguesa. Tomé de Sousa foi um militar e político português que exerceu o cargo de 1549 a 1553. Estávamos em pleno ciclo da cana de açúcar. Durante 214 anos, Salvador foi a capital do Brasil. A situação começou a mudar com a descoberta de grandes jazidas de ouro e o declínio da produção da cana de açúcar.

Painel de azulejos que integra o monumento Marco de Fundação da Cidade do Salvador, do artesão Eduardo Gomes

“São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra de Nosso Senhor
Pedaço de terra que é meu
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do branco mulato
A terra do preto doutor
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do Nosso Senhor
Do Nosso Senhor do Bonfim
Oh Bahia, Bahia cidade de São Salvador
Bahia oh, Bahia, Bahia cidade de São Salvador”
(“São Salvador”, de Dorival Caymmi)

Quando o ouro foi encontrado em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, Salvador perdeu o posto de porto mais importante do país. Desta maneira, a sede do governo colonial é transferida para a cidade do Rio de Janeiro em 1763, com o intuito de fiscalizar as regiões de mineração durante o nosso segundo ciclo histórico, “O ciclo do ouro”. Rio de Janeiro foi a capital do Brasil por 197 anos, de 1763 a 1960. O Rio de Janeiro ganhou o seu nome por causa de uma discordância geográfica. Os portugueses confundiram a Baía de Guanabara com um rio e o mês da descoberta da região era janeiro. Daí vem o nome Rio de Janeiro. Até o final do século XVII, o Rio de Janeiro era uma cidade pequena, que apesar das belezas naturais, não tinha muito a oferecer. Era um local que se cultivava cana de açúcar e um porto para receber escravos vindos da África. Mas a descoberta de ouro nas Minas Gerais, mudou tudo, quando, ficar mais perto das jazidas e o porto de Salvador estava muito longe dessas minas. O porto do Rio de Janeiro seria a solução. O crescimento da cidade à partir dessa época foi exponencial. A situação mudaria para melhor quando a família Real Portuguesa, fugindo das tropas de Napoleão desembarco na cidade em novembro de 1807. O Rio de Janeiro tornou-se a capital de um país europeu fora da Europa, visto que, pelo menos,15 mil pessoas, membros da alta sociedade portuguesa desembarcaram no Rio, trazendo navios cheios de joias, livros, artes e arquivos importantes da sociedade lusa. Até a chegada da família real, em 1808, nenhum outro país Europeu poderia fazer comércio com o Brasil, fato que mudou com a transferência da família real. Todo o governo de Portugal era governado do Rio de Janeiro. O Brasil deixava de ser colônia portuguesa e passava a ser Brasil Imperial, situação que perdurou até a Independência. Um fato interessante dessa mudança é, se compararmos a nossa independência com os países vizinhos das Américas, percebemos que essa transição aqui foi totalmente diferente. Praticamente não tivemos guerras ou revoluções nem movimentos da população por independência. Nossa independência era um sonho da elite, época em que nossa população era em torno de 4, 6 milhões de habitantes e que 15 % dessa população era constituída por escravos vindos da África. Com a independência do Brasil, proclamada por D. Pedro I, o Brasil tornou-se de fato um Império, diferentemente das colônias espanholas que se tornaram repúblicas. Situação que perdurou ate o dia 15 de novembro de 1899, quando a república foi proclamada. O Rio de Janeiro se firmou como uma cidade símbolo de Brasil, por suas belezas naturais, seu povo extrovertido, pelo carnaval e pelo futebol

Cidade maravilhosa
Marchinha composta por André Filho e arranjada por Silva Sobreira para o Carnaval de 1935. Esse adjetivo para a cidade do Rio de Janeiro foi dado pelo escritor maranhense Coelho Neto como uma homenagem às suas belezas naturais.

Samba do avião.

A canção foi composta por Tom Jobim em 1963 e relata a experiência de quem chega ao Rio de Janeiro e, do avião, e visualiza as belezas naturais da cidade. Em 1999, cinco anos após sua morte, o aeroporto internacional do Rio foi batizado com o nome do maestro, em uma justa homenagem.

A primeira ideia de transferir a capital do Brasil par o interior ocorreu durante a Inconfidência Mineira, em 1789. Esse projeto tem uma história interessante, e rêmora às vésperas da independência do Brasil. Naquela época, desde 1821, José Bonifácio de Andrada e Silva, considerado o patriarca da Independência, citava que a capital do Brasil deveria ficar no interior do país, pois estaria menos vulnerável a possíveis ataques de outros países e de corsários franceses que saqueavam colônias no continente americano. Foi ideia dele, que o Planalto Central fosse o local para a construção da nova capital, que poderia chamar-se Petrópolis, em homenagem ao Príncipe Dom Pedro. Mas ficou só na ideia. A efetiva transformação dessa ideia em projeto de lei e, depois em lei efetiva, só aconteceu no final do século XIX, já no período republicano. Em 1892, um anoa após a promulgação da primeira constituição do país, o Congresso Nacional Brasileiro aprovou a formação de uma expedição ao interior do país para estabelecer os limites de um terreno no Planalto Central onde seria construída a nova capital.
Essa expedição, que durou cerca de treze meses, entre 1892 e 1893, ficou conhecida como “Missão Cruls”, isto porque foi liderada pelo engenheiro belga Luís Cruls, e contava com uma comitiva de astrônomos, engenheiros, militares, médicos, botânicos e uma gama de outros cientistas. Cruls conseguiu estabelecer topograficamente uma área no Planalto Central que ficou conhecida como “retângulo Cruls”. É exatamente esta área que, ainda hoje, conhecemos como Distrito Federal, na qual foi construída Brasília.
Os governos que se sucederam não se interessaram em transferir a nova capital, e, somente na década de1950, no governo de Juscelino Kubitschek essa ideia foi concretizada e mudou os rumos do Brasil. Assim, em 1° de outubro de 1957, o Congresso Nacional aprovou a Lei n° 3.273, agendando para 21 de abril de 1960 a transferência da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília.


Aí vem um fato pouco conhecido e pouco divulgado. A cidade de Curitiba foi nomeada capital do Brasil por três dias, de 24 e 27 de março de 1969, por decreto do então presidente militar, general Artur da Costa e Silva, na época em que vigorava o regime militar. O fato ocorreu por uma questão propagandística, visto que a cidade era uma das capitais brasileiras que não fizeram oposição ao regime. Outros dois fatores relevantes influenciaram nessa decisão, o apoio do povo paranaense ao regime militar e a esposa do presidente ser curitibana. Na época, tanto o governador do Estado Paulo Pimentel, como o prefeito de Curitiba, Osmar Sabbag, apoiavam o regime militar.

Cinquenta anos depois Curitiba ficou novamente em evidência sendo chamada “República de Curitiba”, não por ser novamente a capital do país, mas por centralizar a “Operação Lava Jato”.

Josias Cavalcante

One thought on “Curiosidades históricas

  1. Entendemos a História como o estudo da experiência humana no passado e no presente, que busca a compreensão das múltiplas maneiras como homens e mulheres viveram e pensaram suas vidas e suas sociedades em diversos tempos e espaços. Como saber estratégico na formação dos cidadãos, passou por mudanças significativas quanto aos métodos, conteúdos e finalidades até chegar à atual configuração e vividos na complexa e desigual realidade brasileira.
    Dessa forma o texto sob comento nos traz informações preciosas, como o fato de que nosso país já teve 4 capitais, cuja informação era para mim desconhecida. Confesso.
    O texto faz um percurso histórico relevante. Muito bom.

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