Curiosidades da nossa MPB

Curiosidades históricas da nossa MPB

Dona da Minha Vontade
Essa valsa-canção feita por Francisco Alves e o poeta Orestes Barbosa, em 1934, foi gravada originalmente pelo próprio Francisco Alves. Na metade da década de 30, esta peça tornou-se uma verdadeira coqueluche, sendo exaustivamente executada nas rádios cariocas. Muitos anos depois tece uma regravação de Sílvio Caldas. A melodia é muito boa e os versos, trazendo a assinatura do grande Orestes Barbosa, dispensa comentários. Devido ao grande sucesso alcançado na época, o brincalhão Noel Rosa não resistiu a tentação de fazer uma “paródia avacalhativa” da música, chamada “Dono do meu Nariz”, cujo original colhemos do livro do compositor e cantor “Almirante – No tempo de Noel Rosa” – 2ª Ed. Liv. Francisco Alves Editora, Rio de Janeiro, 1977, pg 126/127.
Vamos conferir!

Dona Da Minha Vontade
Francisco Alves

Saudade de quando em quando
Passarinho segredando
Voam tontos rente ao chão
Felizes na primavera
Na busca da paz sincera
Do ninho do coração
Ela distante sorrindo
Talvez esteja me ouvindo
Mas meu ouvido sem saber
Que o canto que solto é medo
É o nostálgico segredo
Do que eu não posso dizer
Coração ninho de penas
No arminho de almas serenas
Tem perfume tem calor
Pobre de minha ave tonta
A lua triste desponta
E eu vou ficar sem amor
Dona da minha vontade
Escravo da ansiedade
Serei o que ela quiser
Coração porque preferes
Amar todas as mulheres
No amor de uma só mulher

Dono do meu nariz
Noel Rosa

Miséria… de vez em quando
Prestamistas recitando
Minhas contas no portão
E a criada, calmamente,
Diz que eu estou ausente
E não lhe deixei tostão…
Mas alguém que está gozando
Porque vive me manjando
Percebeu que eu não saí…
E aspiro no terreiro
L’Origan de galinheiro
Meu L’Origan de “galli”…¹
E no meu ninho de penas
Vejo aves tão serenas
A quem dei milho na mão
O vendeiro por afronta
Suspendeu a minha conta
E eu vou ficar sem feijão…
Dono deste meu nariz,
Não paguei porque não quis…
Não sou de todo infeliz
Por consolo vou gritando:
Neste meu nariz eu mando…
E… galinha não tem nariz!

Josias Cavalcante

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