Augusto Severo de Albuquerque Maranhão – O herói esquecido

Augusto Severo de Albuquerque Maranhão – O herói esquecido

Ele era um menino esperto, nascido no dia 11 de janeiro de 1864, na pequena cidade do interior do Rio Grande do Norte, denominada Macaíba. Seu divertimento predileto na infância era soltar pipas e observar o voo dos pássaros. Realizou seus estudos primários em Macaíba, e os secundários no Colégio Abílio César Borges, em Salvador. Em 1880, viajou para o Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, e iniciou seus estudos de engenharia na Escola Politécnica. Augusto teve um importante papel nos primórdios da engenharia aeronáutica de nosso país. Depois de despertado o interesse pela aviação, o pioneiro passou então a focar a sua atenção nos voos das aves planadoras para que dessa forma pudesse acumular um maior conhecimento acerca do assunto e construir alguns modelos de algo semelhante a pipas. Uma delas ele chamou de Albatroz. Infelizmente, num país sem memória, ele foi um dos grandes nomes de nossa história a quem não foi dado o merecido reconhecimento. Seu primeiro invento considerável foi o dirigível Bartolomeu de Gusmão. O Governo brasileiro custeou a fabricação desse modelo após ouvir opiniões favoráveis de professores da Escola Politécnica do Rio de Janeiro sobre a tecnologia que seria ali aplicada. O dirigível, que foi fabricado na Europa em 1892, ganhou esse nome em uma homenagem ao inventor Bartolomeu de Gusmão, que em 1709, apresentou para a corte portuguesa um pequeno balão preenchido com ar quente. Em 1893, o dirigível Bartolomeu de Gusmão chegou ao Brasil, realizando as suas primeiras ascensões um ano depois de sua chegada. Apesar de uma boa tecnologia para a época, o dirigível teve uma vida muito curta, que por falta de verbas, seu arcabouço foi construído de bambu, que não aguentou e se partiu ao meio na sua primeira tentativa de alçar voo em solo brasileiro. Mas Augusto Severo não desiste. Em 1902 reuniu todos os seus recursos financeiros e ainda pediu emprestado a amigos para desenvolver o novo dirigível: o PAX. O nome era um retrato de sua crença de que tal instrumento poderia evitar guerras entre as nações.

Dirigível PAX – 1902

Dotado de uma tecnologia mais avançada que a de seu antecessor e com menores dimensões – 30 metros em comparação aos 60 do Bartolomeu de Gusmão -, o PAX sobrevoou, em 12 de maio daquele ano, os céus de Paris, chegando a realizar círculos fechados desenhando figuras em forma de oito nos ares da cidade luz. Porém, quando se encontrava mais ou menos a altura de 400 metros, o aparelho foi envolto em chamas e explodiu poucos segundos depois, projetando Augusto Severo e seu mecânico de bordo George Sachêt para o solo. Os dois morreram na queda e os restos do dirigível caíram na avenida “du Maine”. Esse terrível acidente tornou Augusto um “Mártir da Tecnologia Aeronáutica”. O nosso príncipe dos poetas, Olavo Bilac escreveu em 31 de maio de 1902: “para Augusto Severo, o desastre foi uma glorificação”.

No local da queda do nosso bravo e destemido inventor, falecido aos 38 anos de idade, há uma placa de mármore com os dizeres: “À la memoire de L`Aéonaute Brésilien AUGUSTO SEVERO et de son mécanicien français GEORGE SACHÊT Chute du dirigible PAX – Av du Maine. Le 12 mai de 1903”.

Josias Cavalcante

One thought on “Augusto Severo de Albuquerque Maranhão – O herói esquecido

  1. Há ruas e avenidas com o nome de Augusto Severo, numa delas residia um parente, motivo pelo qual conhecia o feito desse brasileiro que injustamente está no ostracismo. Inclusive há na França duas ruas que homenageiam o referenciado patrício.
    Depois do dirigível Bartolomeu Gusmão, em homenagem ao padre voador, Severo patenteou um novo balão dirigível, o Pax. Protagonizou grandes inovações para este dirigível, chegando a introduzir sete hélices, o que facilitou o direcionamento. Desejava usar motores elétricos, porém, a escassez de recursos e de tempo fez com que ele optasse por motores mais simples.
    Josias Cavalcante é cultura.

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