Plácido Domingo – Um repertório infinito

Plácido Domingo – Um repertório infinito
De herói a vilão.

27 November 2019, Hamburg: The opera singer Placido Domingo at a concert in the Elbphilharmonie. In the large hall of the Elbphilharmonie he sang pieces from his extensive repertoire of over five decades before a sold-out house.

Dos três famosos tenores, somente Plácido Domingo continua em atividade, aos 79 anos de idade. Tudo começou quando o produtor italiano Mario Dradi teve a ideia inicial de realizar um concerto dos três tenores mais famosos do mundo, com o objetivo de arrecadar fundos para a Fundação Internacional de Leucemia de José Carreras e proporcionar as boas-vindas ao seu amigo Carreras, em sua volta aos palcos líricos depois de se recuperar da leucemia.
Os três cantaram juntos pela primeira em um concerto produzido pelo empresário húngaro Tibor Rudas, no Estádio dos Dodgers, em Los Angeles durante o encerramento da Copa do Mundo de 1994, tendo o maestro Zubin Mehta conduzindo a Filarmônica de Los Angeles.

Os Três Tenores foi o nome dado ao trio de cantores eruditos Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti, que cantaram juntos, em concertos, durante toda a década de 1990 e no início da década de 2000. Após essa primeira apresentação, participaram sob a Torre Eiffel em Paris, durante a Copa do Mundo de 1998, com condução do maestro James Levine

https://youtu.be/oYHE0_zwpw0

e no encerramento da Copa do Mundo de 2002, em Yokohama, no Japão.

Eles também se apresentaram juntos em outros países do mundo, atraindo centenas de milhares de pessoas. Em 2000, apresentaram-se no estádio do Morumbi, ao lado da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo.

O Três Tenores se dissolveu com a morte de Pavarotti em 2007. Carreras e Plácido seguiram carreira solo encantado o mundo. Entretanto, com a aposentadoria de José Carreras, em 2009, Plácido Domingo foi o único do trio que continuou a atuar em óperas. Carreras, que passou por um sério tratamento para combater a leucemia, afirmou que não pode mais suportar o rigor para os papéis principais em óperas. Assim ele se expressou: “Se eu posso fazer recitais, adaptando o repertório às minhas necessidades, então não há problema, está bom. Mas com óperas, ao menos que as condições ideais existam, minha carreira está acabada”.
Restou Plácido Domingo, que muitas pessoas reprovam o hábito de cantar quantas partituras se apresentem a sua frente, seja ópera, tango, bolero ou até pop. Os conservadores líricos condenam e afirmam “É um desperdício”. Por sua vez os que aprovam retrucam “Por que não cantar qualquer gênero se seu volume vocal o permite”. Essa atitude lhe deu acesso a um público nem tão seleto, mais numeroso.
Plácido Domingo está comprometido com a ópera e com sua evolução que vem se produzindo nesse gênero desde os anos 50, quando nomes como os de Maria Callas, Luchino Visconti, Wieland Wagner e mais recentemente Andrea Bocelli e o alemão Jonas Kaukmann impuseram uma renovação de repertório, de concepções estéticas, de interpretação. Plácido Domingo afirma que o público exige sempre mais. Domingo adquiriu sua técnica durante os dois anos e meio, de 1962 a 1965, em que participou da ópera de Telavive, logo que chegou do México, país para o qual seus pais se mudaram em 1949. Eles eram cantores de “Zarzuela” e donos de sua própria companhia teatral. Portanto, notamos que Domingo foi criado com o teatro correndo nas suas veias. Ao mesmo tempo assistia e frequentava cursos de piano e harmonia, até que debutou aos 16 anos, como um dos personagens bêbados de “My Fair Lady”.

Domingo estava convencido que sua voz era de barítono, mas ao se apresentar para um concurso de voz, ficou sabendo que, na realidade, era um tenor. Sua primeira apresentação profissional se deu em 1959, na ópera do México, onde morava, como o personagem Borsa, em Rigoletto, de Verdi.

Em 1961 debutou na cidade de Dallas, nos EUA, cantando o papel de Arturo em “I Puritani”, com Joan Sutherland, e logo em seguida se apresentou em Fort Worth como Edgardo da “Lucia de Lammermoor”, de Donozetti, ao lado de Lili Pons. Em 1962 viaja para Telavive, acompanhado de sua segunda esposa, a soprano Marta Ornelas e lá começou a desenvolver sua voz a sério, dedicando-se a aumenta-la em volume e cor. Mas somente três anos depois passou a integrar a New York Opera, na qual debutou como protagonista de Don Rodrigo, de Alberto Ginastera. Desde então se sucederam as apresentações internacionais nas óperas de Hamburgo e de Viena, em 1967; Metropolitan, em 1968; Scala de Milão, 1969/1970 e Covent Garden, em 1972.
Na década de 80, Domingo se converteu em um dos tenores mais prolíferos da história, com um repertório tão extenso que quase chega à uma centena de personagens distribuídos ao longo de seu registro de tenor, desde o lírico rápido (Nemorino), até o lírico (Alfredo, Rodolfo, Cavaradossi), passando até o dramático (Hoffman, Sansão, Eneas, Don José, Otello) pelo spinto ( Álvaro, Riccardo, Radamés, Chénier, Calaf),

Esse último personagem Otello é o que Domingo mais admira. Cita-se que o grande ator inglês Laurance Olivier, quando viu o vídeo do filme de Domingo, dirigido por Franco Zeffirelli, disse surpreso “Meu Deus! Não apenas atua tão bem como eu, mas o desgraçado, além do mais canta muito”.

Ninguém poderia aspirar na vida um elogio maior. Nem mais merecido.
Plácido Domingo, que em sua longa e prolífica carreira atuou nas óperas mais prestigiosas do mundo e venceu 12 prêmios Grammy, foi acusado por pelo menos 20 mulheres de beijá-las à força, agarrá-las ou acariciá-las, em incidentes que aconteceram, em alguns casos, há 30 anos.
Após as acusações, Plácido Domingo abandonou em outubro a direção da Ópera de Los Angeles, cargo que ocupava desde 2003.
Também desistiu de se apresentar na Metropolitan Opera de Nova York. A Orquestra da Filadélfia e a Ópera de San Francisco cancelaram suas apresentações previstas para a temporada, assim como a Ópera de Dallas cancelou um concerto programado para março.
O Teatro espanhol, no entanto, seguiu com suas apresentações em vários países da Europa nos últimos meses. E nos próximos tem concertos programados para Hamburgo, Moscou, Madri, Viena, Verona e Londres.

Josias Cavalcante

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