Panorama da Música Erudita Brasileira!

Panorama da Música Erudita Brasileira!

                  Logo após ter conquistado sua independência, o Brasil, como uma criança alegre e ávida de brincadeiras e conhecimento das coisas da vida, procurou aperfeiçoar e desenvolver os vários ramos da ciência e da arte, que o regente Don João VI transplantara na sua nova pátria, fugindo das hordas napoleônicas.
Portanto, a pintura, a escultura, a arquitetura, a literatura, foram testemunhos felizes de sua vitalidade. Porém, entre elas, uma arte nos parece adensar em si, todas as outras. Tudo calcado na magia da sonoridade e do ritmo, ela se torna presente aos nossos olhos, claras visões de uma construção infinita, palácios e templos maravilhosos e translúcidos, cujas harmoniosas linhas, se erguem a um universo sereno. Os quadros pintados por ela possuem tons suaves de delicados matizes, perto das quais, as mais famosas telas, podem ser comparadas a grosseiras caricaturas. A ela incumbimos o secreto impulso das mentes e das almas, descrevendo os sentimentos mais fugazes, as mais profundas manifestações de amor, sagrado ou profano, ao lado das mais deslumbrantes belezas do ser humano. Falamos da MÚSICA. O seu reino começa onde termina o verbo. Tanto faz ela ser cantada numa avena rústica de um pastor solitário, ou soluce e retumbe na mais estrondosa das modernas sinfônicas. O seu nobre papel será sempre o mesmo, o de embalar as dores do ser humano, animar as esperanças, exasperar as alegrias, entorpecer os sofrimentos e se inebriar com belos sonhos.
“A música suaviza os costumes”, diz um antigo adágio. Desde tempos mais remotos é bem conhecida a tendência musical do povo brasileiro. Os antigos missionários que por aqui passaram já notavam a facilidade com que nossos indígenas e curumins decoravam os cânticos religiosos e o entusiasmo com que se dedicavam à música.
Portanto, vem de longe esta aspiração do brasileiro a gozar a mais imaterial de todas as artes. Aqueles índios que chamavam a atenção dos missionários possuíam suas melodias primitivas e suas danças mítico-religiosas, que eram ingênuas, com melodias e instrumentos rudimentares de que nos restam apenas alguns fragmentos históricos, mas que não deixam de ser significativos. Danças e contos dos índios como os do Rio Negro, dos Coroados, dos Caboclinhos, dos Pajés e dezenas de outras espalhadas pelas florestas desse imenso Brasil.

                        As melodias populares brasileiras são, na sua generalidade, de profunda melancolia. Quase todas elas são lentas e tristonhas, com um antegosto nostálgico que na sua origem seria o suficiente para explicar. Que música poderia criar a melancolia taciturna do índio, aliada ao sentimentalismo do português e à tristeza passiva do escravo africano? Ali encontramos concentradas todas as tristezas do mundo, a tristeza bruta e instintiva do homem primitivo, a tristeza do braço civilizado, relembrando a pátria longínqua, a tristeza e a melancolia das criaturas que foram arrancadas de suas nações africanas.
As modinhas de Joaquim Manoel da Câmara e Frei Teles são uma prova patente de tudo isso.

                          O século XIX caracterizou-se pela profunda e vasta revolução cultural denominada Romantismo, movimento de mil faces que mergulha suas raízes no século precedente. Prevalece o individual, que se alimenta da volta à Natureza, à Pátria e ao exotismo, estabelecendo uma nova estética centrada no “eu”. Daí a valorização do nacionalismo, onde se incluem as manifestações culturais.
Obedecendo ao pensamento romântico de buscar a autenticidade nacional na música do povo, a exemplo dos russos fortemente impregnados de elemento popular, Cesar das Neves, Gualdino de Campos e Teophilo Braga, em Portugal, realizam um dos mais completos trabalhos na área. Entre 1893 e 1898 publicam mais de 600 canções portuguesas e brasileiras nos 3 volumes do ‘Cancioneiro de Músicas Populares’, documentando não só o texto, mas sobretudo a música, de cantos religiosos, de trabalho, canções políticas, de teatro, de dança, modinhas de salão, lundus e até diversos hinos.

 Cantares do Império

                      Foi, porém, Don João VI que, ao fixar-se no Brasil, imprimiu um impulso definitivo à mais harmoniosa e a mais perturbadora de todas as artes. Isso pode ser constatado com seu Mestre de Capela Marcos António da Fonseca Portugal, conhecido como Marcos Portugal, compositor e organista luso-brasileiro de música erudita. No seu tempo, as suas obras foram conhecidas por toda a Europa, sendo um dos mais famosos compositores portugueses de todos os tempos. Este, por sua vez, muito se admirou de ter encontrado na Terra de Santa Cruz, cantores e músicos negros que, ensinados pelos jesuítas, cujas tradições haviam conservado, cantaram, na Igreja de Santo Inácio de Loiola, a primeira missa ofertada a Don João VI, que assistiu emocionado em presença de toda corte. Sua emoção foi ainda maior ao encontrar nesse país longínquo e primitivo, um compositor brasileiro, negro, chamado Padre Maurício Nunes Garcia cuja obra musical foi citada mundialmente pelo pesquisador alemão Prof. Curt Lange, diretor do Instituto Americano de Musicologia. Padre Maurício, entusiasmou tanto Don João Vi, que este o nomeou Inspetor da Capela Real. Tornou-se muito considerado na Corte e gozou da amizade de Marcos Portugal e de Segismundo Neukomm, maestro austríaco e servidor do Reino. Por ser negro e brasileiro, Padre Maurício, viu-se desprezado pela Rainha D. Carlota Joaquina, mas isso em nada diminuía o valor do grande músico da terra. Padre Maurício escreveu além das Missas, Tantum Ergos, Reponsos, a ópera Zelmira e uma infinidade de modinhas populares.

José Maurício Nunes Garcia – Te Deum das Matinas de Sao Pedro (1809)

 

Padre José Maurício Nunes Garcia

 

                     Exposto essas considerações, além dos já citados, muitos são os nossos artistas eruditos, compositores magistrais, o temperamento de cada um deles, brilhando, como ardentes fachos de luz, isolados no reino glorioso da constelação artística. Em um primeiro plano cito o cearense Alberto Nepomuceno, um homem de notável cultura, poliglota, que muito cedo partiu para a Itália, onde frequentou em Roma o Conservatório de Santa Cecília e posteriormente foi para a Alemanha, onde estudou composição com o professor Arno Kleffel e piano com o professor Erlich. Em seguida partiu para Paris, onde aperfeiçoou seus estudos com órgão. Após seis anos volta ao Brasil e assume a direção do Instituto de Música, cujo talento honraria as mais adiantadas nações da Europa. Alberto Nepomuceno, é sem dúvida o mais “brasileiro” dos nossos compositores eruditos. Conhecido como “precursor do nacionalismo”, Alberto Nepomuceno é lembrado na historiografia musical como um dos primeiros compositores a empregar ritmos, gêneros e temas “caracteristicamente brasileiros”, ao lado do paulista Alexandre Levy e do paranaense Itiberê da Cunha. Embora use recursos oriundos das músicas francesa e alemã, sobretudo no tocante à forma e harmonia, Nepomuceno procura mimetizar em algumas obras certo “sotaque brasileiro”, apropriando-se particularmente da música popular, tanto urbana quanto folclórica. Sua Galhofeira, para piano solo, 1894, por exemplo, é um maxixe. Já a Série Brasileira, de 1897, considerada por alguns como o marco inicial do nacionalismo, mescla temas folclóricos, gêneros urbanos cariocas, melódica nordestina e ritmos afro-brasileiros. Dividida em quatro partes – Alvorada na Serra, Intermédio, Sesta na Rede e Batuque, a mais famosa, um reaproveitamento da Dança de Negros – a Série desagrada à crítica mais ortodoxa da época, escandalizada com a presença de um reco-reco na última delas. Mas não fica só nisso, sua célebre “Suíte Antiga” a “Sinfonia em sol menor”, alguns “Lieder” e a ópera “ Abul”, mostram que Nepomuceno soube ser, em todos os ramos da música, um mestre que só se pode comparar a Leopoldo Miguez.

Série Brasileira – I Alvorada na serra II. Intermédio III. Sesta na rede. IV. Batuque.

 

                             Leopoldo Miguez, cronologicamente, anterior a Nepomuceno, é um dos pilares básicos da nossa história musical erudita. Carioca, filho de pai espanhol, foi levado aos 2 anos de idade para a Espanha. Estudou violino em Lisboa com Nicolau Ribas. Aos oito anos de idade, tocou em público uma fantasia sobre motivos da Traviata. Partiu depois para Bruxelas, Bélgica, onde estudou no Conservatório local, fazendo também curso de humanidades e letras. Aos 21 anos volta ao Rio de Janeiro, onde se dedicou exclusivamente a música. Recebeu do governo a incumbência de ir à Europa estudar a organização dos Institutos e Conservatórios Musicais e ao regressar foi nomeado o primeiro Diretor do Instituto Nacional de Música, onde tornou-se professor de composição e violino. Música sinfônica, música de ópera ou de teatro, nada escapou à sua atividade. Entre suas obras, monumentos imperecíveis da nossa cultura musical destacamos: “Prometheus”, “Ave Libertas”, “Poema Sinfônico”, “Sonata – Op. 14”, “Parisina” e o “Hino da Proclamação da República”.

Hino da Proclamação da República

 

                       Anteriormente a eles despontava o nome de Francisco Manoel da Silva, nascido no Rio de Janeiro e que fora aluno do Padre José Mauricio e do compositor austríaco Sgismundo Neukomon. Ele fez parte, como violinista, da Orquestra da Câmara Real, dirigida por Marcos Portugal e o substituiu em 1842. Francisco Manoel da Silva era um homem de grandes iniciativas, promovia concertos, ensinava piano e canto e organizava importantes solenidades religiosas. Compôs modinhas, Hino da Coroação, Hino das Artes, um Te Deum, uma missa de Réquiem, Hino a Santíssima Virgem, mas o seu maior legado, seu título de glória é ter sido o autor do Hino da Pátria ou Hino Nacional, considerado por todos como um dos mais inspirados e vibrantes do mundo. A oficialização do Hino Nacional data de 1890, depois de um concurso cujo julgamento se efetuou no Teatro Lírico, com a presença do Presidente Marechal Deodoro da Fonseca, ministros e numerosa plateia. Consta na história que o presidente teria dito, após a execução de vários hinos, inclusive o escolhido como melhor, de autoria de Leopoldo Miguez: Prefiro o velho. E o hino de Francisco Manoel da Silva passou a ser mantido pelo Decreto No. 171. Nesse decreto não se mencionou a letra que, automaticamente foi posta à margem por se referir à Monarquia. Várias letras foram adaptadas ao Hino, mas em 1922, foi oficializada pelo presidente Artur Bernardes, a letra do poeta fluminense Joaquim Osório Duque Estrada.

Composição musical do Hino Nacional Brasileiro foi definida em 1890

 

                       Ao lado desses três nomes outros foram surgindo e se multiplicando, como e de Henrique Oswald, um carioca, filho de pai suíço e mãe brasileira. Aos 2 anos de idade foi levado para São Paulo onde passou a estudar música e se apresentava em público tocando piano com maestria. Aos 16 anos viaja para Florença, onde estudou harmonia e contraponto com Grazziani e composição com Buonamini. Seu sucesso foi tal, que três anos depois, apesar de ser estrangeiro foi convidado para ser professor adjunto no Instituto Musical de Florença. Casou-se na Itália e foi nomeado pelo governo brasileiro, Consul na França, e depois na Itália. Mas não era essa a sua verdadeira vocação. Abandonou a carreira para se dedicar exclusivamente à música. Dentre os mais notáveis trabalhos podemos citar: “Croce d’Oro”, “La Fate”, “Il Neige”, algumas sinfonias, Quartetos, Quintetos e Sonatas. Era um homem de muita modéstia, muito culto. Foi diretor do Instituto Nacional de Música, sucedendo a Leopoldo Miguez.

                        Ainda do início do século XIX, nasceria em Campinas, São Paulo, aquele que seria um dos maiores ícones da nossa música erudita, Antônio Carlos Gomes. Começou a se interessar por música ainda criança e aprendeu teoria musical com o pai, maestro da Filarmônica da cidade de Campinas. Contra a vontade dos pais, rumou para o Rio de Janeiro, capital do Império. Foi muito bem acolhido por D. Pedro II e iniciou logo os estudos no Conservatório, lá colhendo os primeiros louros de seu nato talento. Já tocava vários instrumentos e de modo notável piano e clarineta. A “Noite do Castelo” foi a sua primeira ópera. Dois anos depois, com a ópera “Joana de Flandres”, cresceu muito seu prestígio e o Imperador D. Pedro II, de quem se tornou amigo, o enviou para a Itália, a fim de aperfeiçoar-se ainda mais. Na Itália aperfeiçoou seus estudos e venceu. A 19 de março de 1870, sua nova ópera o “Guarani”, foi cantada no teatro Scala de Milão, tendo por interpretes o tenor Vilani, o barítono Maurel e a célebre soprano Maria Sasse. Carlos Gomes quase endoideceu quando se viu aplaudido por Giuseppe Verdi que, ao terminar o grande concertante do terceiro ato, exclamou “ Este moço começa por onde acabei eu”. O Guarani foi apresentado em Moscou, São Petersburgo, Londres, Santiago, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Outras produções não menos meritória de Carlos Gomes projetaram que projetaram o autor no cenário mundial fora: Fosca, Salvador Rosa, Maria Tudor, Condor O Escravo e o oratório Colombo.
Com a proclamação da República e por ser amigo do Imperador D. Pedro II, Carlos Gomes sofreu muita discriminação, apesar do seu nome glorioso, foi apontado como monarquista, quando de volta ao Brasil e mantido à distância. Faleceu em Belém do Pará, onde exercia o cargo de Diretor do Conservatório de Música de Belém.

 

                          Na virada do século XIX para o século XX, surgiriam muitos nomes importantes na nossa música erudita, onde lembramos Francisco Braga, um menino de família muito pobre que estudou música no Asilo dos Meninos Desvalidos, onde dirigiu a banda de alunos do Asilo. Tendo grande vocação para a música, foi encaminhado para estudar no Imperial Conservatório, onde terminou o curso de Clarineta, obtendo a medalha de ouro. Animado, inscreveu-se no concurso para o Hino da República. Dos mais de 30 inscritos, Francisco Braga foi um dos 3 classificados. Como prêmio pela classificação, foi mandado para à Europa custeado pelo governo. Chegando à Paris, para entrar no Conservatório, teve que submeter-se a rigoroso exame de seleção, obtendo o primeiro lugar. Dirigiu em Paris dois concertos sinfônicos de músicas brasileiras. Esteve na Itália e Alemanha realizando recitais de música nacional. São inúmeras e preciosíssimas as obras deixadas por Francisco Braga, entre as quais destacamos: os poemas sinfônicos Cauchemar, Insônia e Marabá.; a ópera Jupyra, escrita na ilha de Capri, Itália e Anita Garibaldi. Escreveu ainda numerosos hinos patrióticos em que destacamos o Hino à Bandeira Nacional que escreveu sobre as inspiradas palavras do poeta Olavo Bilac dos Guimarães Rosa.

 

                      Na sequência abordaremos Luciano Gallet, um carioca que estudou música com os padres salesianos onde era aluno. Tinha muita queda pela música, entretanto queria ser arquiteto. Ao conhecer Cláudio Velasquez, pintor, escultor e músico brasileiro, sua vocação mudou. Foi apresentado a Henrique Oswald com quem estudou piano e composição no Instituto Nacional de Música. Aprovado em concurso para livre docência no mesmo Instituto, interessou-se pela nossa música folclórica e desenvolveu um trabalho muito importante que não foi totalmente concluído por ter falecido precocemente aos 38 anos de idade. Entretanto, publicou obras interessantes como: Dois exercícios brasileiros, para piano a quatro mãos, e duas monografias: O índio na Música Brasileira (Taieras) e o Negro na Música Brasileira (Batuque)

                           Dando sequência, vamos encontrar o carioca Joaquim Antonio Barroso Netto, que desde criança revelou seus pendores para a música. Foi então matriculado no Instituto Nacional de Música, onde foi aluno de Alberto Nepomuceno. Estudou piano e sua obra pianística é digna de louvor. As composições de Barroso Netto revelam um artista de rara têmpera. Uma forte e profunda tristeza caracteriza as suas composições. Tristeza essa que é um reflexo da alma brasileira, paradoxalmente triste, em meio ao ambiente luminoso e alegre da natureza de nossa terra. Escreveu peças de diversos gêneros: Para piano, Tarantela, Coriscos, Galhofeira Pastoral e Rapsódia Guerreira: para piano e orquestra, Minha Terra e Aruanã.

 

                       Ainda nessa virada do século, vamos encontrar um carioca que tinha grande vocação para a música, Oscar Lorenzo Fernandez, filho de espanhóis radicados no Brasil, ainda rapazinho começou a tocar nas festas dançantes do Centro Galego. Matriculou-se no Instituto Nacional de Música, onde estudou piano com o mestre Henrique Oswald e aos dezoito anos compôs a ópera Rainha Moura. Em 1922, obteve os três primeiros prêmios de porfiado concurso nacional de composição. Estudou nosso folclore e em todas as suas produções esforçou-se por imprimir um cunho genuinamente nacional nas suas composições. Em 1929, a convite do governo espanhol, representou o Brasil nos festejos ibero-americanos, realizados em Barcelona. Muito lhe deve o Brasil não só pelo seu gigantesco trabalho em prol da nossa música como sobretudo pela modelar instituição que fundou, coadjuvado por um grupo de músicos idealistas, o Conservatório Brasileiro de Música. Entre outras peças, escreveu: Trio Brasileiro, Toada para você, Suburbana, Visões Infantis. Como contribuição à música ameríndia e negra escreveu: Imbapara, e Reisado e Pastoreio, além de vários poemas sinfônicos como Terceira Suíte Brasileira e Malazarte, sua única peça lírica, como desenvolvimento do tema folclórico da Nau Clarineta.

 

                  O paulista Francisco Mignone, pianista, regente e compositor erudito, influenciado pelo pai, excelente flautista, cedo se interessou pela música e já aos dez anos tocava em pequenas orquestras como pianista. Estudou harmonia com Savino de Benedictis e no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Nessa época já escrevia músicas de caráter popular, adotando o pseudônimo de “Chico Bororó”. Diplomou-se pelo Conservatório em 1917, nos cursos de piano, composição e flauta, partindo em seguida para Milão a fim de aperfeiçoar-se no Real Conservatório Giuseppe Verdi. De sua vastíssima obra destacamos: o poema sinfônico Caramuru, e a Suite Campestre, o Drama, O Contratador de Diamantes, baseado no episódio colonial brasileiro em Minas Gerais; as sinfonias No Sertão e Festa Mística a ópera Maracatu de Chico Rei e o bailado afro brasileiro Babaloxá e Leião. Faleceu em 1986.

 

                  O pequeno Mozart Camargo Guarnieri, aprendeu música em casa. Seu pai era um imigrante italiano era barbeiro, músico e tocador de flauta. A mãe, Gécia de Arruda Camargo Penteado, de uma tradicional família paulista era excelente pianista. Isso facilitou muito a vida musical de Guarnieri, que teve aulas de piano a partir dos dez anos de idade com Virgínio Dias. Para este professor dedicou sua primeira composição, a valsa Sonho de artista, em 1918. Estudou e aperfeiçoou-se com Lamberto Baldi professor do Conservatório de Música de São Paulo. Camargo Guarnieri cultivou todos os gêneros de música e sua obra se caracteriza por um cunho acentuadamente brasileiro. Foi um estilizador inteligente da música folclórica e, na opinião do crítico e musicólogo Mário de Andrade, foi o melhor polifonizador que a nossa terra já produziu. Entre suas principais obras destacamos: Losango Cáqui, para canto e piano; Dança Brasileira; Canção Sertaneja; Sonatina. Destaque para a ópera cômica Pedro Malazarte; a Moprte do Aviador, cantata trágica, inspirada na revolução paulista de 1932, para orquestra, coros e soprano solo; Prelúdio e Fuga para piano; Concerto para piano e orquestra; Três danças: Maxixe, Cateretê e Samba, para canto e orquestra.

 

                       Chegamos finalmente ao maior ícone da nossa música erudita, Heitor Villa-Lobos. Mas, qual o porquê dessa denominação? Justamente porque sua música ultrapassou as fronteiras internacionais sendo conhecida e tocada em todos os países. Heitor Villa-Lobos, nasceu, viveu e morreu na cidade do Rio de Janeiro. Foi Foi compositor, maestro, violoncelista, pianista e violonista brasileiro descrito como “a figura criativa mais significativa do Século XX na música clássica brasileira”, e se tornando o compositor sul-americano mais conhecido de todos os tempos. Compositor prolífico, escreveu numerosas obras orquestrais, de câmara, instrumentais e vocais, totalizando mais de 2000 obras até sua morte, em 1959. Aos seis anos de idade aprendeu com seu pai a tocar uma viola como se fosse um violoncelo, em posição vertical. Estudou também piano e clarineta, familiarizando-se pouco a pouco com os diversos instrumentos da orquestra. Em sua juventude, viajou muito pelo Norte e Sul do país, realizado concertos e colhendo avidamente os motivos folclóricos de cada região por onde passava.
Particularmente, estudou com Breno Niendemberg, Agnello França e Francisco Braga. Viajou para a Europa onde entrou em contato com a música de Calude Debussy e de Igor Stravinsky. Não quis fazer nenhum curso na Europa, dizendo que tinha ido para ensinar e não para aprebder.
Em 17 de novembro de 1959, Heitor Villa-Lobos falecia no Rio de Janeiro. Teve a glória, a mui poucos facultada, de receber, ainda em vida, homenagens, honrarias e uma difusão jamais obtidas por qualquer outro compositor brasileiro. Viajou várias vezes à Europa e aos EUA em missão oficial e a convite de instituições culturais. Regeu orquestras sinfônicas importantes. Villa-Lobos transpôs as fronteiras do pitoresco fácil, do anedótico, do curioso, para os horizontes vastos da universalidade. Por seu intenso trabalho e incoercível destinação, converteu-se no máximo compositor brasileiro de todos os tempos. Tornou o nome do Brasil respeitado e admirado no exterior, muito embora a significação autêntica e essencial de sua arte permaneça um privilégio do entendimento de poucos brasileiros.
Ele operou sobre vários gêneros musicais. Sua obra é prodigiosa, ciclopicamente vasta. Estudá-la, analisá-la e compreendê-la a fundo constitui tarefa ingente para gerações de musicólogos informados pelo conhecimento íntimo e profundo das centenas de partituras, impressas ou manuscritas. Infelizmente, nós brasileiros ignoramos a Villa-Lobos na proporção de 90%. Isso demostra o desconhecimento e falta de interesse curricular sobre a história da música no nosso país. A música vive quando transportada do texto impresso, seja para micro estórias, seja para sal de concertos.
Heitor Villa-Lobos escreveu para quase todos os gêneros; música sacra, profana, de câmara, sinfônica, coral, para pequena orquestra, piano, violino, violoncelo, violão e órgão. Entre suas obras mais importante citamos: Danças Africanas, Bachianas Brasileiras, Lenda do Caboclo, Choros, Descobrimento do Brasil, Uirapura, Amazonas, Cantos Orfeônicos, e as óperas: Malazart, Zoé, Jesus, IZath, e Aglaia e Madalena.

 

 

Josias Cavalcante

One thought on “Panorama da Música Erudita Brasileira!

  1. Uma das maneiras de ampliar a compreensão sobre textos musicais é abrir o leque de perspectivas de abordagem analítica frente às obras, para que maiores possibilidades interpretativas possam advir.
    Um artigo que espelha o panorama de luzes perpassando pela musicologia de forma consistente, abrangendo os momentos mais relevantes da música.
    Os vídeos acostados são a mais perfeita preciosidade.
    Um mergulho profundo que traz à luz à música para o completo deleite. Parabéns.

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