Jesus, Alegria dos Homens

Jesus, Alegria dos Homens

          Pela simples perseverança incansável, há poucas coisas na história contemporânea capazes de rivalizar com o modo como os ingleses enfrentaram os horrores da “Blitz militar” imposta pelos alemães nos primeiros tempos da Segunda Guerra Mundial.
A pianista Dame Myra Hess recordou vividamente em suas memórias o espírito daquela época sangrenta – e, com ele, o papel singular desempenhado por sua transcrição para o piano do canto coral “Jesus, Alegria dos Homens”, da Cantata 147 de Johann Sebastian Bach. A pianista popularizou muito essa peça, executando-a ao piano nos abrigos subterrâneos superlotados de pessoas que se refugiavam dos bombardeios nazistas à Londres, como também nos concertos cotidianos do meio-dia que inaugurou em 1939, e que realizou durante todos os anos da guerra na Galeria Nacional de Londres. O resultado escreveu Dame Myra Hess, parecia exercer um efeito tranquilizador em seus ouvintes.
Mescla tocante de melodia em semibreves e acompanhamento persistente em quiálteras, a peça continua a ser uma eterna favorita em todo mundo.
Dame Myra Hess nasceu em 25 de fevereiro de 1890 em uma família judia em Kilburn, Londres. A caçula de quatro filhos, ela começou a tocar piano desde tenra idade, iniciando as aulas quando tinha cinco anos.
Em 1903, aos 12 anos, ganhou uma bolsa de estudos na Royal Academy of Music, onde conheceu seu mentor, Tobias Matthay, que seria fundamental para o desenvolvimento de seu talento. Sua estréia pública se seguiu aos 17 anos, quando ela tocou no Queen’s Hall, uma famosa sala de concertos de música clássica no centro de Londres, com a New Symphony Orchestra e seu então maestro Sir Thomas Beecham. Durante as três décadas seguintes, ela viajou bastante e ganhou destaque como pianista da mais alta patente. Mas ela é talvez mais conhecida hoje pelas séries de concertos de música de câmara de baixo custo que ela iniciou na Galeria Nacional no início da Segunda Guerra Mundial.
Os shows foram um grande sucesso e conquistaram muito carinho do público britânico. Em 1941, ela foi premiada com o D.B.E. (Comandante da Dama da Ordem do Império Britânico) em reconhecimento ao seu serviço de guerra.

 

Josias Cavalcante

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